{"id":409,"date":"2023-03-11T22:23:51","date_gmt":"2023-03-12T01:23:51","guid":{"rendered":"https:\/\/triplexvermelho.praxis.pro.br\/?page_id=409"},"modified":"2023-03-12T10:51:23","modified_gmt":"2023-03-12T13:51:23","slug":"sala-caboclo-bernardo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/triplexvermelho.praxis.pro.br\/index.php\/sala-caboclo-bernardo\/","title":{"rendered":"Sala &#8220;Caboclo Bernardo&#8221;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_410\" style=\"width: 183px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-410\" class=\"wp-image-410 size-full\" src=\"https:\/\/triplexvermelho.praxis.pro.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Caboclo-Bernardo.jpg\" alt=\"\" width=\"173\" height=\"144\" \/><p id=\"caption-attachment-410\" class=\"wp-caption-text\">Bernardo Jos\u00e9 dos Santos<\/p><\/div>\n<p>Bernardo Jos\u00e9 dos Santos (Vila de Reg\u00eancia, Linhares, 1859 &#8211; Barra do Rio Doce, 3 de junho de 1914), foi um pescador e catraieiro, o her\u00f3i que, em 1887, salvou cento e vinte e oito marinheiros do Cruzador Imperial Marinheiro, da Marinha Imperial do Brasil.<\/p>\n<p>Na madrugada de 7 de setembro de 1887, uma noite de tempestade com mar revolto, o Cruzador Imperial Marinheiro, que se dirigia em comiss\u00e3o de sondagem a Abrolhos, chocou-se contra o pontal sul da barra do Rio Doce, a cerca de 120 metros da praia do povoado de Reg\u00eancia, distrito da cidade de Linhares, no Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Um escaler com doze tripulantes foi baixado para buscar socorro em terra; destes, apenas oito chegaram \u00e0 praia.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de Reg\u00eancia mobilizou-se para tentar auxiliar a tripula\u00e7\u00e3o do cruzador que naufragava, mas pouco se podia fazer por causa do mar violento. Ao amanhecer do dia, o jovem Bernardo se disp\u00f4s a nadar at\u00e9 o navio levando um cabo de espia, por onde os tripulantes poderiam vir um a um, pendurados, at\u00e9 \u00e0 praia. Bernardo lan\u00e7ou-se quatro vezes ao mar, sendo arremessado de volta \u00e0 terra pelas ondas. Na quinta tentativa, obteve sucesso e o cabo foi amarrado ao navio.<\/p>\n<p>Bernardo, ao lado de tr\u00eas marinheiros do navio de guerra, participou de todo o processo do resgate, acompanhando os n\u00e1ufragos at\u00e9 a praia num pequeno bote amarrado ao cabo. Gra\u00e7as aos esfor\u00e7os de todos, ap\u00f3s cinco horas de luta, dos 142 tripulantes do &#8220;Imperial Marinheiro&#8221; salvaram-se 128. N\u00e3o h\u00e1 registro se os corpos das 14 v\u00edtimas fatais foram ou n\u00e3o encontrados posteriormente.<\/p>\n<p>O jovem Bernardo, ent\u00e3o com 28 anos naquela ocasi\u00e3o, recebeu no dia 20 de setembro de 1887, uma homenagem p\u00fablica em Vit\u00f3ria, capital da prov\u00edncia. Em entrevista ao jornal &#8220;A Prov\u00edncia do Esp\u00edrito Santo&#8221;, ele declarou &#8220;eu vi o navio perder-se e ent\u00e3o prendi o cabo aos dentes e atirei-me ao mar para salv\u00e1-los&#8221;. Em seguida, ele viajou para o Rio de Janeiro, onde em 29 de setembro foi recebido pela alta c\u00fapula da Marinha de Guerra. Em 6 de outubro, numa audi\u00eancia, a Princesa Isabel o condecora com uma medalha de ouro e lhe confere um diploma.<br \/>\nBernardo voltou \u00e0 Barra do Rio Doce e \u00e0 sua vida rotineira de pescador. Participou ainda de outros resgates de navios, mas nenhum t\u00e3o dram\u00e1tico quanto o do &#8220;Imperial Marinheiro&#8221;; com o passar do tempo, ele acabou caindo no esquecimento. A medalha da Regente, por muitos anos, esteve guardada na resid\u00eancia de um comerciante da regi\u00e3o, Cl\u00e9ris Moreira. Seu paradeiro atual \u00e9 ignorado e suspeita-se que tenha sido roubada por algu\u00e9m que desconhecia seu valor hist\u00f3rico.<br \/>\nEm 3 de junho de 1914, ao voltar de uma pescaria, Bernardo sentou-se num banco no barraco onde vivia e aguardava que a esposa preparasse o almo\u00e7o quando foi surpreendido pela entrada repentina de Lionel Fernandes de Almeida. B\u00eabado, o invasor deu-lhe um tiro de garrucha \u00e0 queima roupa e fugiu. Bernardo tombou, j\u00e1 morto, aos 54 anos de idade.<br \/>\nLionel Fernandes foi preso pouco depois e condenado a 17 anos de reclus\u00e3o, tendo todavia, por raz\u00f5es desconhecidas, recebido indulto em 20 de maio de 1920. Anos depois, perguntado sobre o motivo do crime, teria respondido: &#8220;Cacha\u00e7ada&#8230; quest\u00e3o de mulher&#8221;. Baseado nesta declara\u00e7\u00e3o e em evid\u00eancias indiretas, suspeita-se que a mulher de Lionel, cansada dos maus-tratos que sofria, buscou abrigo no barraco de Bernardo, o qual acabou por pagar com a vida este \u00faltimo gesto de generosidade.<br \/>\nEmbora tenha vivido seus \u00faltimos anos praticamente esquecido, a morte tr\u00e1gica de Bernardo resgatou-lhe a grandeza heroica. Foi sepultado em Reg\u00eancia com todas as honras que a comunidade pobre p\u00f4de lhe render, e nos anos a seguir, o nome do her\u00f3i passou a ser integrado \u00e0 paisagem urbana de Vit\u00f3ria, batizando logradouros e tendo bustos figurativos erguidos em sua homenagem.<br \/>\nEm 1969, a Marinha de Guerra batizou um rebocador recentemente incorporado, com o nome de &#8220;Caboclo Bernardo&#8221;, e ofereceu dois bustos do her\u00f3i \u00e0 comunidade, o qual foi colocado um em frente \u00e0 igreja matriz de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o e outro na pra\u00e7a da Vila de Reg\u00eancia. Caboclo Bernardo tornou-se maior que a hist\u00f3ria e acabou por se integrar \u00e0s lendas e \u00e0 cultura da Barra do Rio Doce. Desde 1930 que em Reg\u00eancia \u00e9 apresentado um &#8220;Auto do Caboclo Bernardo&#8221;, onde a vida, o ato heroico e a morte est\u00fapida de Bernardo s\u00e3o encenados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bernardo Jos\u00e9 dos Santos (Vila de Reg\u00eancia, Linhares, 1859 &#8211; Barra do Rio Doce, 3 de junho de 1914), foi um pescador e catraieiro, o her\u00f3i que, em 1887, salvou cento e vinte e oito marinheiros do Cruzador Imperial Marinheiro, da Marinha Imperial do Brasil. 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